Sopros sonoros, alegria e o devir criança ...
reflexões filospsipoéticas...
"Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças" -Pablo Picasso
Os cristãos estão familiarizados com as mensagens do mestre J. Cristo que falava
dos puros de coração, do receber o reino dos céus como crianças...
Da fé que remove montanhas, da em si mesmo e no Criador, não sou versada
nos assuntos teológicos, mas quando se trata de fé , encontro-me à vontade.
A minha foi instituída desde cedo pelos sopros sonoros que recebi de alguém,
não sei ao certo se foi do rádio sempre ligado em minha casa , ou da voz de
minha mãe.
Talvez, muito próximos ao meu berço meus irmãos cantarolassem, rodopiassem
em sues próprios ritornelos.. O fato é que as vezes esqueço do quanto de fé há
nos meus atos, uma confiança sem pressa no processo que denominamos vida.
Certamente é anterior às palavras, uma fé que se constituiu musicalmente...
Fé de que havia alguém por porto quando necessitasse, alguém a traduzir
meus anseios, necessidades, decifrar meus códigos, nem sempre a resposta
vinha imediatamente, mas certamente havia alguém nas proximidades...
Se mais tarde este alguém, este outro sem nome fosse Deus, não sei, não sei,
evoquei em seu nome sagrado e as respostas surgiram...
Fui uma criança muito sadia, de vitalidade invejável, então alcançar a voz, o outro,
o amigo, o alimento necessário não era-me misterioso...Havia confiança em meu
próprio corpo, em minha energia e capacidade do melhor para mim mesma escolher
e calmamente reabastecer-me.
Junto aos sons da natureza encontro-me à vontade, o vento me encanta por
tornar audível a voz das folhas, dos banbuzais, dos corredores aparentemente
vazios ...
Sinto muito pelas pessoas que não possuem o suficiente de fé na vida, em si
mesmos, que perderam o contato com seus instintos, sua potência criativa, e
alegria , jovialidade , fortes aliados em fazermos escolhas certas;
Quando ainda não sabemos sobre o certo e o errado, o corpo saudável escolhe, o instinto “decide “ pelo menos à favor da vida...Refiro-me de Eros, do desejo de perpetuar-nos enquanto espécie sem desrespeitar as demais visto que as pessoas
sadias – tem uma boa dose de “sabedoria” – sabor pelo saber inclusive e tendo este
discernimento optarão sempre pela preservação do meio ambiente inclusive . Thanatos, instinto de morte em Freud, é atenuado pela alegria de viver e conviver ...
Às vezes ouço algumas pessoas lamentarem-se quanto a seu passado, recriminado-se sobre a maternidade não planejada. Não creio em escolhas equivocadas quando
se trata de ter ou não ter tido filhos. Tê-los é sempre acertado, é sempre oportunidade
de ver-se, de repensar-se de reintegrar-se à pureza , à inocência...
Conviver com os pequeninos além de rejuvenescer é mais uma grande chance de
tornar-se uma pessoa mais responsável, mais madura e consciente do milagre da existência. Não que os venhamos a tê-los com grandes expectativas centrada no ego apenas e, não é garantido um devir criança em cada indivíduo que com estas conviva, depende da sensibilidade e abertura ao novo às investigações e a própria pessoa em questão (Seguindo a linha bergsoniana de conceber o tempo, G. Deleuze e F. Guattari formulam o conceito de devir-criança. Deleuze e Guattari (1980/1997) reconhecem na tese bergsoniana do tempo como virtual, como coexistência de durações distintas e heterogêneas, o princípio de uma realidade própria ao devir. Em consonância com Bergson, o conceito de devir-criança porta a idéia de "uma" criança que persiste no adulto enquanto virtualidade e enquanto condição de divergência e diferenciação da cognição, abrindo caminho para a exploração da dimensão inventiva da cognição. O que se vê aí sugerido é um giro no ponto de partida da investigação, um redirecionamento da atenção, que se desloca então das formas estabilizadas para o movimento que as retira desta condição, ou antes, daquilo que é transformado para aquilo que é o próprio movimento de transformação ..*.)
Creio que apenas aqueles que os desejam ardentemente os deveriam ter nestes tempos de facilidades preventivas, pois que somos livres para o melhor escolher respeitando nossas limitações e inclusive tentar superá-las, através da constante
análise de nossos argumentos, medos , culpas diante à vida , ao turbilhameto e potência que são as crianças .
Conviver com estas pode-se através de trabalhos voluntários, em ONGS, etc...
Crianças são musicais por natureza, produzem sons os mais variados e nos brindam em suas risadas, ante as suas descobertas, estas aos meus ouvidos soam como sinos, hinos do divino despertar ...
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*- se interessar - ver artigo O Devir-Criança e a Cognição Contemporânea- “Deleuze e Guattari afirmam: "...‘uma’ criança coexiste conosco, numa zona de vizinhança ou num bloco de devir, numa linha de desterritorialização que nos arrasta a ambos - contrariamente à criança que fomos, da qual nos lembramos ou que fantasmamos, à criança molar da qual o adulto é o futuro" (p.92). Falar em devir-criança da cognição é conceber sua operação politemporal, seu movimento entre diversos platôs ou camadas de tempo.” *(Virgínia Kastrup-UFRJ.)
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722000000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt)
visite o Canal de Filosofia no VMD
http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/filosofia_virginia/colaboradores.htmPoema relacionado -
http://www.vaniadiniz.pro.br/virginia_fulber/poema_soprosss_devires.htm http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=15133 http://www.poetasdelmundo.com/vernot.asp?idnews=467 http://www.foconospoetas.com.br/ todo dia...
http://vicamf.multiply.com/journal/item/185/todo_dia_.....
virgínia além mar junho 08- com agradecimento à querida amiga Lizete Heinz que me presenteou com o vídeo