“...Saint-John Persedisse- minha voz está na areia
Eu, não digo nada . calo-me e espero tua palavra.
Espero que me tomes a mão sem falar de amor,
Nutrindo-me com o amor . “
( Nehas Sopaj – Poeta Albanês -Pág 117
Freire é um discreto professor aposentado, avesso a badalações e nunca se "acha o tal", apesar de ser o "tal". Pelo menos, a universidade britânica de Cambridge não o esqueceu quando fez a lista dos 2 mil maiores intelectuais do século 21. A honraria saiu em 2001. A prestigiada universidade enviou, via correio, o diploma 2000 Outstanding Scholars of the 21st Century in Honor and Outstanding in the Field of Linguistis and Education (2000 Notáveis Intelectuais do século 21 em Honra e Notabilidade no Campo da Lingüística e Educação). Mesmo assim, ele mantém a humildade. Nunca conta vantagem de sua inteligência prodigiosa, nem para corrigir as notícias de que um comerciante nascido na Libéria (África), mas de origem libanesa, Ziad Youssef Fazah, 50, é considerado o maior poliglota vivo no mundo. Fazah, que é casado com uma brasileira e mora no Rio de Janeiro, fala 58 línguas. "Eu já emprestei muitos livros para ele. Quando viu minha biblioteca pela primeira vez, ficou fascinado", conta Freire, que este mês lança "Babel de Poemas", com 60 poesias escritas em 60 línguas diferentes, livro que terá o texto original acompanhado da tradução em português feita por Freire. Mas ele realmente sabe falar, ler e escrever 110 línguas? É claro que não. Na verdade, fluentemente, são 30. O restante sabe ler e escrever ou, às vezes, entende (se o nativo não falar rápido como um "manezinho da ilha"). No entanto, em todas as citadas, tem a capacidade de traduzir qualquer uma das que estudou com, ou mínimo, auxílio de dicionários. Daí o recorde que está para conquistar e poderia constar no "Guiness Book". Metódico em seu trabalho, estuda cientificamente em todos os aspectos. Começando pelo fonológico, entrando na gramática, memorizando vocabulário e testando a sintaxe.
Temporadas em diversos paÍses reforçam estudos
Carlos Amaral Freire nasceu em 27 de outubro de 1931, em Dom Pedrito, cidade gaúcha na fronteira com o Uruguai. Despertou-se para as línguas muito cedo. Tinha um tio espanhol, muito culto, que possuía uma vasta biblioteca, na qual havia muita literatura hispânica e italiana. Em 1961, aos 30 anos, formou-se na faculdade de letras neolatinas da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio Grande do Sul, em 1966, na mesma universidade, em letras anglo-germânicas. O poliglota trabalhou como professor primário, secundário e universitário. Começou dando aulas de espanhol, inglês e francês. À medida que foi aprendendo idiomas, Freire recebia convites para lecionar em universidades e trabalhar com intérprete. Tornou-se tradutor juramentado de 12 idiomas e conheceu o mundo devido às infinidades de bolsas de estudo que ganhou para fazer cursos em universidades de vários países do mundo. Na Universidade do Texas (EUA), estudou lingüística; na Espanha fez pós-graduação em filologia românica. Aproveitou sua estadia na Europa e fez um curso diferente do que estava habituado a fazer: relações internacionais, na famosa Escola Diplomática de Madri. Na Itália, ganhou uma bolsa para aprofundar-se no estudo da língua egípcia. Adorador do escritor russo Dostoievski, estudou com afinco o idioma russo para lê-lo no original. Nos anos 70, por saber russo e chinês, acabou demitido da refinaria Alberto Pasqualini, situada em Canoas, perto de Porto Alegre (RS), onde ele trabalhava como intérprete. Motivo: foi considerado "subversivo". O Brasil estava sob a sombra da ditadura militar, que nesse período lançava sobre o País seu lado mais pesado. No campo internacional, vivia-se a rivalidade da guerra fria e essas duas línguas eram considerados de "comunistas". Depois, Freire saiu no Brasil e rodou o mundo fazendo cursos, participando de congressos lingüísticos. Entre 1980 a 1990, morou na Bolívia. Foi convidado a ser "leitor". Esta palavra, muito usada no meio acadêmico, designa um professor estrangeiro que se transfere para uma universidade do exterior com o objetivo de lecionar curso de sua língua materna. Em território boliviano, aproveitou para pesquisar duas exóticas línguas indígenas daquele país - o quetchua e o aimara -, deixando sua marca na biblioteca de lingüística mundial. Descobriu a semelhança fonológica dessas duas línguas com o georgiano, idioma falado na Geórgia, país asiático que integrava a antiga União Soviética. Publicou seu estudo "Quetchua e Aimara: Dos Estúdos Contrastivos" (1984), pela universidade de Sucre (Bolívia) em parceria com a embaixada do Brasil naquele país. Isso, na opinião do estudioso, comprova que os índios da Bolívia seriam descendentes do mesmo povo que séculos mais tarde originaram os turcos e os georgianos, confirmando que antiguidade houve alguma migração de gente da Ásia que chegou à América.
GUERRA
Nessa aventura mundial, o professor passou uma temporada na antiga Iugoslávia, para onde foi em 1998, para implantar o curso de português na universidade da capital, Belgrado. Mas logo estourou a guerra de Kosôvo e ele, com medo de ser mais uma vítima das batalhas, acabou fugindo para a Itália. Apenas cinco livros compõem a atividade de escritor de Freire, que coloca o sexto nas livrarias este mês. "Não é fácil conseguir publicar algo no Brasil", diz. Entre suas monografias, escritas em português ou em espanhol, está "La Intraducibilidad de la Poesia China" (1991), um estudo inédito sobre o tema.(OAJ) -Abrax.-devil (johner)
"A confiança em si mesmo é o primeiro segredo do sucesso." Ralph Waldo Emerson
Vi minha queridíssima Amiga...Que bela e rica lição o avô do Jo nos dá! Estou aqui ouvindo pela segunda vez os videos, e Maravilhada com a simpatia de Carlos Amaral Freire que como você bem disse e eu concordo plenamente "Ilustre e Modestíssimo senhor" Impressionante com que simplicidade ele expõe tanto conhecimento! Confesso que me falta adjetivos para dizer da Admiração que me causou! Amei a poesia que ele leu em chines e depois traduziu! E que Magnífico ouvir essa poesia que nos deixou aqui "O Pássaro, esse pássaro..." Uma DELICIA ouvir as poesias na língua original! Vou hoje mesmo comprar o Livro Babel de Poemas Grata muito Grata Virgínia Poetinha Jardineira que mais Admiro! Com esse teu presente-email a semana já começa encanto passarinho Uma semana tão encantada quanto essa emoção que me deixou
beijinhos com Amor e Admiração incondicional da Li em revoadas de alegria